quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Temos no Brasil império até 1961 uma escola dicotômica uma com formação profissional visando e questão da preparação para o mercado de trabalho e outra propedêutica para a formação superior, como esperado reflexo da organização social da época que as camadas populares ficariam a cargo de ocupar os postos de trabalho de melhor valor intelectual enquanto as classes dominantes teriam a possibilidade de continuar seus estudos e se manter como elite intelectual.

Felizmente os tempos mudaram e com uma educação básica tomou avanço para que este abismo fosse cada vez menor, assim temos a mudança de organização da educação no país, com a implantação de curso profissionalizante de modo universal e compulsório, remetendo a necessidades da época para o formação de mão de obra no país.
Atualmente temos uma educação geral, porém com diversas organizações quanto a sua estrutura, seja com ensino normal de período único, temos do ensino integral ou também o semi-integral que vem de políticas mais novas com a questão de trazer que a escola como local onde os jovens e crianças devem permanecer para que estejam em algumas situações fora das ruas e das drogas e em outros discursos de que somente o ensino é capaz de transformar seu futuro.

Porem temos a questão com a medida provisória 746/2016 apresentada pelo presidente em exercício a proposta de mudanças no ensino, que para muitos especialistas é um retrocesso para a educação brasileira, a retirada de disciplinas e o reconhecimento por notório saber com a justificativa da falta de profissionais licenciados para lecionar uma forma de contornar este problema de caráter qualitativo, mas estamos considerando a qualidade do ensino que estará sujeito com está medida? Como temos o argumento de falta de profissionais por um lado e recentemente o governador do estado justifica o fechamento de escolas pela falta de aluno? Qual a educação que estamos buscando? Uma nova educação ou vamos voltar aos velhos moldes?

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Reformas na educação sob a perspectiva da cultura

Quando pensamos em cultura, logo nos vem a mente as práticas e tradições de uma comunidade. Mas será que ela se resume apenas nesses aspectos?

Muitas vezes nos deparamos relacionando algo a "cultura" ou ainda desvinculando práticas ou manifestações desse conceito, considerando-os "sem cultura". Qual é exatamente o critério através do qual fazemos essa distinção? 

A questão é que existem relações de poder que determinam os significados das práticas, e, mesmo que não percebamos, nossas perspectivas e atitudes são regulados por essas relações. Ao não refletir sobre as práticas e seus contextos nos cabe uma análise pautada no 'piloto automático' que acaba por disseminar um tipo de cultura: a que se relaciona ao modelo hegemônico.

É a partir dessa perspectiva que acabamos por determinar o que é normal ou aceitável e aquilo que está fora e deve ser corrigido/excluído, regulando os sujeitos a partir da identidade e da diferença.

Para transcender essa visão singular e hegemônica, devemos valorizar o que é trazido pelos grupos oprimidos e das chamadas minorias (por mais que frequentemente estas sejam maiorias, quantitativamente) nesse jogo de significação que é a cultura.

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Nos últimos dias, o Ministério da Educação apresentou uma proposta que desencadeará uma série de mudanças no ensino médio. Tal plano será aplicado a partir de 2018, uma vez que aprovado pelo Congresso Nacional.

* Deixamos aqui uma notícia que traz mais informações e opiniões acerca dessa medida: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/22/politica/1474579671_242939.html

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Relacionando as ideias, é criada margem para algumas questões, levantamos aqui algumas delas:
Como a organização do ensino médio dialoga com os diferentes setores da sociedade? Como será que essa possível mudança curricular se relaciona com a ideia de cultura? Que modelo de sociedade essa reforma vem a propagar e fortalecer?

Fica o convite aos leitores para a discussão nos comentários!

terça-feira, 20 de setembro de 2016



É nítido que, até hoje, conseguimos identificar diferenças gritantes no modo de ensino na educação escolar. De um lado (e na maioria das vezes diga-se de passagem) notamos escolas que adotam sistemas de ensino que visam meramente que seus alunos absorvam um conhecimento que muitas vezes será aplicado somente em uma prova de vestibular. Do outro lado (e infelizmente na minoria dos casos) encontramos escolas que levam em consideração a diversidade cultural, política e social do meio onde aqueles alunos estão inseridos.
Os estudos culturais são uma grande “sacada”, pois contribuem para a análise dos processos de regulação a que quase toda prática educacional impõe e, também, para a análise da “subordinação” a qual o ensino foi colocado pela atual constituição e , claro, pela lei de diretrizes e bases da educação, diretrizes curriculares da educação básica e o plano nacional da educação.
As relações entre cultura, Estado, mercado e sociedade civil não podem ser ignoradas durante o processo de ensino e os estudos culturais tem um importantíssimo papel nesse sentido ao recusar que a política de poder está desvinculada do processo de formação. Os estudos culturais abrangem diversos campos da cultura e focam, principalmente, nas zonas de conflito que muitas vezes acabam sendo deixadas de lada para discussões como as questões étnicas, de gênero, sexualidade, etc. Os estudos culturais se preocupam e caracterizam as relações sociais e, ao mesmo tempo, tentam combater os mecanismos de opressão.
Nos estudos culturais a cultura é o principal objeto de estudo, sendo esse estudo feito de maneira interdisciplinar. A ideia dos estudos culturais não é compartimentar os campos de conhecimento, e sim fazer uma interação entre os mesmos e mostrar que a explicação do real não deve aparecer com uma explicação da realidade. Será que realmente deve existir uma visão universal de homem, sociedade e mundo? Os estudos culturais mostram que não.
Enfim, trouxemos essa imagem aqui do post com o intuito de mostrar que os estudos culturais aparecem justamente para nos fazer pensar sobre a maioria dos atuais planos de ensino escolar onde o foco é o “aluno-máquina”, o aluno que tem que passar no vestibular. Os estudos culturais encaram o ensino como uma forma de quebrar os paradigmas impostos em nossa sociedade mostrando a importância do debate da política de poder, das questões étnicas, de gênero, sexualidade, etc, afinal nunca existirá uma uniformização de tais questões. A diferença sempre existirá. E que bom que ela exista!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

E como é para você viver em sociedade? Você se sente inserido na mesma? Tem o seu grupo? A sua cultura? As suas preferências?
A verdade é que mesmo pertencendo a diferentes grupos culturais, nos vivemos como um todo, ou seja, estamos inseridos em um grande meio aonde cada um encontra o seu significado. Nossas atitudes estão relacionadas com o que faz sentido para nós. O importante é nos sentirmos bem no meio em que escolhemos.
De acordo com José Guilherme Cantor Magnani em seu artigo “Os circuitos dos jovens urbanos”, podemos realizar algumas definições em relação a sociedade.
  • Pedaço: espaço intermediário entre o privado( a casa) e o público, onde se desenvolve uma sociabilidade básica.
  • Mancha: áreas dotadas de equipamentos que marcam seus limites e viabilizam uma atividade ou prática dominante.
  • Trajeto: Ambientes frequentados antes de chegar em seu ponto final. Extensão da mancha. Locais que são frequentados de forma secundária.  

O que podemos concluir a partir da sua referência é que todos esses aspectos em conjunto formam a sociedade e essa é denominada pelo mesmo como um “Circuito”, aonde diferentes pessoas, crenças e culturais formam um grande sistema. 

Abaixo, segue a caracterização de Pedaço, Mancha e Trajeto de 4 alunos da Universidade de Educação Física da Unicamp:



terça-feira, 30 de agosto de 2016


            





            O Euro acorda em alta. O Dólar também. A inflação nem se fale. A Economia é tão viva como nós, tem nome próprio, tem seus momentos, seus humores e parece quase tão autônoma quanto o clima, como anuncia diariamente o jornal. A compressão do tempo-espaço na pós-modernidade se espalha das relações de produção para o cotidiano, como um Tsunami que vai inundando a cidade.
               David Harvey adverte que não só a aceleração do tempo de giro, mas também a volatilidade são os novos lemas da produção contemporânea, conhecida também como acumulação flexível. O que significa, em termos práticos, mais rapidez, tanto do ponto de vista da produção e da brevidade do estoque, como no sentido das mudanças de concepções e imagens produzidas por uma marca ou empresa.  Pois hoje, mais do que nunca, as empresas tem vida, já que não vendem só produto, e sim uma forma de ser (para alguns um estilo de vida).
                A imagem é na verdade uma alegoria. O acrobata circense sobre uma corda bamba a espera de aplausos, é substituída por um homem de negócios, vestido como tal no cenário da cidade de aranha céus. O que se espera do sujeito é capacidade de se equilibrar em meio às novas adaptações exigidas pelo mercado: os valores das moedas e taxas, o mercado financeiro, as inovações da produção. E é fazendo o contraponto entre o guarda chuva e a mala que ele se sustenta para, possivelmente, em seguida caminhar.     
                Ao que indica Harvey, essa é a mentalidade da contemporaneidade. A efemeridade relacionada à volatilidade e a rapidez. O ritmo acelerado das grandes metrópoles no começo do século XX narrado pelo historiador Nicolau Sevcenko, é hoje ainda mais evidente. Diariamente lançam-se inovações do mundo da tecnologia de forma que se perde de vista as possibilidades de interação, informação e produção oferecidas.
                Os jovens, normalmente sujeitos mais dispostos às mudanças, contemporâneos das mais recentes tecnologias, certamente estão enraizados ainda mais da lógica da efemeridade. É com facilidade que abandonam o Messenger para usar o Orkut. E do Orkut para o Facebook. E do Facebook para...
                   E, contrariando os mais inocentes, o que se modificado não é só as plataformas, mas toda uma estrutura relacionada às possibilidades de expressão que cada uma oferece.  É muito mais que um sistema de comunicação, é uma nova linguagem que ali se instaura.