Quando pensamos em cultura, logo nos vem a mente as práticas e tradições de uma comunidade. Mas será que ela se resume apenas nesses aspectos?
Muitas vezes nos deparamos relacionando algo a "cultura" ou ainda desvinculando práticas ou manifestações desse conceito, considerando-os "sem cultura". Qual é exatamente o critério através do qual fazemos essa distinção?
A questão é que existem relações de poder que determinam os significados das práticas, e, mesmo que não percebamos, nossas perspectivas e atitudes são regulados por essas relações. Ao não refletir sobre as práticas e seus contextos nos cabe uma análise pautada no 'piloto automático' que acaba por disseminar um tipo de cultura: a que se relaciona ao modelo hegemônico.
É a partir dessa perspectiva que acabamos por determinar o que é normal ou aceitável e aquilo que está fora e deve ser corrigido/excluído, regulando os sujeitos a partir da identidade e da diferença.
Para transcender essa visão singular e hegemônica, devemos valorizar o que é trazido pelos grupos oprimidos e das chamadas minorias (por mais que frequentemente estas sejam maiorias, quantitativamente) nesse jogo de significação que é a cultura.
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Nos últimos dias, o Ministério da Educação apresentou uma
proposta que desencadeará uma série de mudanças no ensino médio. Tal plano será
aplicado a partir de 2018, uma vez que aprovado pelo Congresso Nacional.
* Deixamos aqui uma notícia que traz mais informações e opiniões acerca dessa medida: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/22/politica/1474579671_242939.html
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Relacionando as ideias, é criada margem para algumas questões, levantamos aqui algumas delas:
Como a organização do ensino médio dialoga com os diferentes setores da sociedade? Como será que essa possível mudança curricular se relaciona com a ideia de cultura? Que modelo de sociedade essa reforma vem a propagar e fortalecer?
Fica o convite aos leitores para a discussão nos comentários!
117527 - Em minha opinião essa medida exclui a possibilidade de realizar o ensino médio daqueles que não podem estudar em tempo integral por conta do trabalho e praticamente inviabiliza o EJA. Além disso, tira a obrigação do aluno realizar as matéria com viés menos tecnicista e mais crítico/reflexivo, reforçando um modelo de formação fechado, que promove a formação de mão de obra mecanizada e inerte politicamente.
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