É comum observarmos aulas de Educação Física em que a ênfase dos
conteúdos é a aptidão física e os gestos técnicos característicos das
modalidades trabalhadas (essas, tradicionalmente, correspondem a um mesmo grupo
social, étnico e similar contexto histórico). A abordagem cultural da EF vai na
contramão dessas correntes tradicionais, na busca de abordar diferentes
leituras acerca das práticas corporais, compreendendo que a realidade vigente é
uma construção, representando apenas uma possibilidade e não a verdade
absoluta. Nesse contexto, o meio pelo qual se desperta algumas das infinitas
possibilidades de prática social acerca de uma manifestação, chama-se
tematização.
Assim, buscamos aplicar essa abordagem com graduandos em educação
física e, para isso, escolhemos especificamente o judô.
O primeiro passo foi mapear o conhecimento dessas pessoas sobre a
prática. Depois de aplicado um questionário, levantamos os seguintes dados:
- Não há nenhum praticante da modalidade dentre os 31
entrevistados, mas a grande maioria conhece alguém que pratica;
- Para a maioria das pessoas do grupo o judô possui pouco espaço
na mídia, sendo veiculado somente em grandes eventos;
- Em geral, não conhecem as origens do judô;
- Quando perguntados sobre as simbologias presentes, as respostas
foram bem diversificadas e estão representadas no gráfico a seguir:
Podemos observar que a questão das faixas
(somada com "graduações" e "classificações") apareceu de
modo recorrente nos registros.
Decidimos então direcionar a tematização a
esses aspectos. Para isso, levamos um documento da Confederação Brasileira de
Judô que tem como objetivo padronizar os sistemas de graduação:
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| Alguns trechos do documento "Regulamento para exame e outorga de faixas e graus" da CBJ |
Depois do contato inicial com o documento,
colocaríamos algumas perguntas, tais como:
Como você imagina serem as práticas de judô? Como funciona a organização do treinamento e competições na modalidade? Com
base em que critérios são agrupados os praticantes?