sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Tematizando o judô

É comum observarmos aulas de Educação Física em que a ênfase dos conteúdos é a aptidão física e os gestos técnicos característicos das modalidades trabalhadas (essas, tradicionalmente, correspondem a um mesmo grupo social, étnico e similar contexto histórico). A abordagem cultural da EF vai na contramão dessas correntes tradicionais, na busca de abordar diferentes leituras acerca das práticas corporais, compreendendo que a realidade vigente é uma construção, representando apenas uma possibilidade e não a verdade absoluta. Nesse contexto, o meio pelo qual se desperta algumas das infinitas possibilidades de prática social acerca de uma manifestação, chama-se tematização.

Assim, buscamos aplicar essa abordagem com graduandos em educação física e, para isso, escolhemos especificamente o judô.

O primeiro passo foi mapear o conhecimento dessas pessoas sobre a prática. Depois de aplicado um questionário, levantamos os seguintes dados:

- Não há nenhum praticante da modalidade dentre os 31 entrevistados, mas a grande maioria conhece alguém que pratica;
- Para a maioria das pessoas do grupo o judô possui pouco espaço na mídia, sendo veiculado somente em grandes eventos;
- Em geral, não conhecem as origens do judô;
- Quando perguntados sobre as simbologias presentes, as respostas foram bem diversificadas e estão representadas no gráfico a seguir: 




Podemos observar que a questão das faixas (somada com "graduações" e "classificações") apareceu de modo recorrente nos registros.

Decidimos então direcionar a tematização a esses aspectos. Para isso, levamos um documento da Confederação Brasileira de Judô que tem como objetivo padronizar os sistemas de graduação:




Alguns trechos do documento "Regulamento para exame e outorga de faixas e graus" da CBJ


Depois do contato inicial com o documento, colocaríamos algumas perguntas, tais como:

Como você imagina serem as práticas de judô? Como funciona a organização do treinamento e competições na modalidade? Com base em que critérios são agrupados os praticantes?

Um comentário:

  1. Muito bom trabalho de mapeamento. Vocês podem também andar pelo bairro e analisar como a comunidade tem (ou não tem) acesso a luta tematizada.

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