O
Euro acorda em alta. O Dólar também. A inflação nem se fale. A Economia é tão
viva como nós, tem nome próprio, tem seus momentos, seus humores e parece quase
tão autônoma quanto o clima, como anuncia diariamente o jornal. A compressão do
tempo-espaço na pós-modernidade se espalha das relações de produção para o
cotidiano, como um Tsunami que vai inundando a cidade.
David Harvey adverte que não só
a aceleração do tempo de giro, mas também a volatilidade são os novos lemas da
produção contemporânea, conhecida também como acumulação flexível. O que
significa, em termos práticos, mais rapidez, tanto do ponto de vista da produção
e da brevidade do estoque, como no sentido das mudanças de concepções e imagens
produzidas por uma marca ou empresa.
Pois hoje, mais do que nunca, as empresas tem vida, já que não vendem só
produto, e sim uma forma de ser (para alguns um estilo de vida).
A imagem é na verdade uma
alegoria. O acrobata circense sobre uma corda bamba a espera de aplausos, é
substituída por um homem de negócios, vestido como tal no cenário da cidade de
aranha céus. O que se espera do sujeito é capacidade de se equilibrar em meio às
novas adaptações exigidas pelo mercado: os valores das moedas e taxas, o
mercado financeiro, as inovações da produção. E é fazendo o contraponto entre o
guarda chuva e a mala que ele se sustenta para, possivelmente, em seguida
caminhar.
Ao que indica Harvey, essa é a
mentalidade da contemporaneidade. A efemeridade relacionada à volatilidade e a
rapidez. O ritmo acelerado das grandes metrópoles no começo do século XX
narrado pelo historiador Nicolau Sevcenko, é hoje ainda mais evidente.
Diariamente lançam-se inovações do mundo da tecnologia de forma que se perde de
vista as possibilidades de interação, informação e produção oferecidas.
Os jovens, normalmente sujeitos
mais dispostos às mudanças, contemporâneos das mais recentes tecnologias,
certamente estão enraizados ainda mais da lógica da efemeridade. É com
facilidade que abandonam o Messenger para usar o Orkut. E do Orkut para o
Facebook. E do Facebook para...
E, contrariando os mais
inocentes, o que se modificado não é só as plataformas, mas toda uma estrutura
relacionada às possibilidades de expressão que cada uma oferece. É muito mais que um sistema de comunicação, é
uma nova linguagem que ali se instaura.
