terça-feira, 30 de agosto de 2016


            





            O Euro acorda em alta. O Dólar também. A inflação nem se fale. A Economia é tão viva como nós, tem nome próprio, tem seus momentos, seus humores e parece quase tão autônoma quanto o clima, como anuncia diariamente o jornal. A compressão do tempo-espaço na pós-modernidade se espalha das relações de produção para o cotidiano, como um Tsunami que vai inundando a cidade.
               David Harvey adverte que não só a aceleração do tempo de giro, mas também a volatilidade são os novos lemas da produção contemporânea, conhecida também como acumulação flexível. O que significa, em termos práticos, mais rapidez, tanto do ponto de vista da produção e da brevidade do estoque, como no sentido das mudanças de concepções e imagens produzidas por uma marca ou empresa.  Pois hoje, mais do que nunca, as empresas tem vida, já que não vendem só produto, e sim uma forma de ser (para alguns um estilo de vida).
                A imagem é na verdade uma alegoria. O acrobata circense sobre uma corda bamba a espera de aplausos, é substituída por um homem de negócios, vestido como tal no cenário da cidade de aranha céus. O que se espera do sujeito é capacidade de se equilibrar em meio às novas adaptações exigidas pelo mercado: os valores das moedas e taxas, o mercado financeiro, as inovações da produção. E é fazendo o contraponto entre o guarda chuva e a mala que ele se sustenta para, possivelmente, em seguida caminhar.     
                Ao que indica Harvey, essa é a mentalidade da contemporaneidade. A efemeridade relacionada à volatilidade e a rapidez. O ritmo acelerado das grandes metrópoles no começo do século XX narrado pelo historiador Nicolau Sevcenko, é hoje ainda mais evidente. Diariamente lançam-se inovações do mundo da tecnologia de forma que se perde de vista as possibilidades de interação, informação e produção oferecidas.
                Os jovens, normalmente sujeitos mais dispostos às mudanças, contemporâneos das mais recentes tecnologias, certamente estão enraizados ainda mais da lógica da efemeridade. É com facilidade que abandonam o Messenger para usar o Orkut. E do Orkut para o Facebook. E do Facebook para...
                   E, contrariando os mais inocentes, o que se modificado não é só as plataformas, mas toda uma estrutura relacionada às possibilidades de expressão que cada uma oferece.  É muito mais que um sistema de comunicação, é uma nova linguagem que ali se instaura.

11 comentários:

  1. Pensando nessa realidade do homem de negócios na corda bamba, tendo que se adaptar ao mercado e a cultura de massas, o fato de os jovens estarem mais sujeitos às mudanças e enraizados na lógica da efemeridade, é o fator que os leva cada vez mais para a corda bamba? Se incentivamos os jovens a serem diferenciados e darem respostas aos problemas criados, não estamos apenas alimentando o sistema? Ao invés de capacitar os jovens para solucionar o criador dos problemas, irem contra esta loucura instaurada que só leva cada vez mais todos para dentro de um labirinto que dificilmente se sairá

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    1. Capacitar os jovens, para que estes sejam capazes de solucionar os problemas advindos contribuiria para a massificação da cultura? Se sim, isso não seria alimentar o sistema?

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    2. Capacitar os jovens, para que estes sejam capazes de solucionar os problemas advindos contribuiria para a massificação da cultura? Se sim, isso não seria alimentar o sistema?

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  2. 159995
    Nos tempos de hoje, realmente tudo que vivemos está sendo efêmero e sujeito a volatilidade, entretanto, acredito que os jovens estão mais propensos a essas mudanças por causa da massa cultural, para serem aceitos pela sociedade, e as empresas possuem grande influência nessas mudanças, pois eles estão preocupados em vender serviço (que é efêmero) por estar relacionado com a acumulação flexível... achei que a imagem representa bem a volatilidade, pois a todo momento estamos tentando nos adaptar as mudanças

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  3. Acho que não vi, até o momento, imagem melhor que se encaixasse ao texto do que essa que vocês postaram. É exatamente isso o que ocorre na sociedade, e quando falamos nisso, não nos damos conta que estamos nos equilibrando também... Equilibrando para nos mantermos "bonitos" e na moda, nos mantermos na média da faculdade, nos mantermos antenados nos acontecimentos da Internet, equilibrados para nos adaptar as mudanças do tempo-espaço. A pós-modernidade nos engole, nos faz subir na corda bamba sem pedir licença.

    Adorei o post, de verdade.
    Thaís Monteoliva 187388

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  4. 154471
    A imagem que utilizaram para ilustrar sua postagem representa muito bem as mudanças pelas quais a sociedade tem passado e esta foi influenciada, principalmente, pelas transformações ocorridas no modo de produzir auxiliadas pelas inovações tecnológicas e organizacionais. Isso trouxe a importância de se adaptar rapidamente às necessidades do mercado de trabalho por meio de constantes reciclagens.

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  5. Alice Rocha Hohne 145136
    Adorei o texto do post! E achei que a imagem é uma representação muito boa do que está sendo a vida para muitas pessoas nos dias atuais, precisando se equilibrar sempre entre trabalho, familia, faculdade, amigos... sempre procurando se adaptar às massas e deixando de lado os momentos simples e aproveitáveis. A efemeridade da sociedade nos dias atuais nos força sempre a pensarmos que precisamos fazer uma faculdade daquilo que nos dará mais dinheiro, então precisamos trabalhar para termos mais dinheiro para comprarmos mais coisas da moda, para estarmos dentro dos padrões. Essa volatilidade acaba se tornando um ciclo infinito e quando alguém tenta quebrá-lo essa pessoa é julgada como alguém que caiu da corda bamba.

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  6. Quando refletimos sobre a temática apontamos como um problema da sociedade, da mesma ser efêmera, atribuir valores a bens materiais, e da volatilidade das relações, porém, quando retratamos sobre ela temos que estar cientes de que somos a sociedade que apontamos e estamos dentro de alguns padrões estabelecidos. O que é normativo no pós-modernismo é essa sociedade do consumo, cabendo a nós ter senso crítico e fazer as pessoas que estão ao redor refletir sobre o mode de produção e consumo que vivemos e o quanto isso reflete na nossa sociedade e nas sociedades em geral.

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  7. Renan F Oliveira -147777
    Muito intrigante essas colocações que vocês trazem acerca do tema. Podemos pensar também em como somos influenciados não apenas pelo avanço rápido da tecnologia, mas sim como somos influenciados pelo marketing diário de novos objetos, novos "sonhos", novos "planos". Podemos pensar... Será mesmo que o que desejamos é o que realmente desejamos? ou estamos apenas replicando o que vemos por ai mesmo que involuntariamente? O que o grande Mujica (presidente do Uruguai) disse uma vez, "o que compramos e temos anseio de comprar não é com dinheiro que nos compramos e sim com nosso tempo de vida". Essa é uma frase muito importante para reefletirmos.

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  8. Talita O. Silva 147980

    Gostei muito do texto e da imagem, pois eles nos levam a refletir sobre elementos que olhando levianamente consideramos cotidianos no nosso dia-a-dia, pois somos inseridos á sociedade e seus costumes logo após nosso nascimento, incorporando elementos da mesma como nossos. No entanto nem tudo o que parecemos desejar, vem de nos mesmos e sim do que nos foi ensinado a desejar.

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  9. Realmente a imagem ilustra muito bem a realidade vivida por muitos trabalhadores reféns da volatilidade e efemeridade dos números e resultados, mas a primeira coisa que penso quando observo a imagem é que esse cara de terno está muito alto e se cair ele pode morrer, o que realmente acontece de fato em momentos de crise, ouvimos em casos de suicídio de pessoas que perdem tudo, principalmente investidores que estão mais sensíveis à volatilidade, principalmente a do mercado. Mas essa corda devia estar mais baixa pelo fato de que a maioria das pessoas tem uma capacidade de adaptação a realidade ao seu redor, mesmo que caia da corda o indivíduo tem a capacidade de subir novamente ou a opção de não subir mais.

    Otavio Franke 118278

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